sábado, 14 de junho de 2008

"Mas, diga-me, por favor, o que é que eu procuro?"

Não era uma visita desproposital, à toa, eu sei. Mas a minha esperança de encontrar edições antigas de livros de Antoine de Saint-Exupéry já andava meio capenga há algum tempo.

Depois que li Terra dos Homens, reeditado em edição especial pela Editora Nova Fronteira, em 2006, fiquei querendo ler outras obras do autor, impressionada como conseguiu, no referido livro, ser tão ou mais encantador quanto o foi nO Pequeno Príncipe.

Mesmo assim, com um fiapinho de esperança, fui ao Sebo Cultural da cidade (www.osebocultural.com.br) e vi aquele fio pequenino e frágil ganhando corpo na resposta positiva da atendente: “Há sim, senhora, temos três títulos. Vou providenciá-los!”

Pronto, em segundos, eu tinha um novelo inteirinho nas mãos e no coração todo o medo do mundo de que, ao voltar, descobríssemos que o sistema de dados nos enganara.

Confirmada a existência sublime, senti-me protagonizando a cena descrita por Clarice Lispector em Felicidade Clandestina – “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”.

Valeu à pena esperar. Acabei adquirindo, na semana do meu aniversário, um exemplar que compilava duas obras do autor: Correio Sul e Vôo Noturno, editado por Abril Cultural e Victor Civita, há 34 anos atrás, no ano em que eu nasci. Coincidência? Encontro marcado?...

Quanto ao aspecto do livro, digo-lhes estar em bom estado de conservação. Mas isso informo só a título de curiosidade, porque o que importa verdadeiramente, nas raras oportunidades em que a vida permite, de forma tão sublime, ter o ser amante nos braços, é amá-lo.







"Depois, você me conhece, aquela pressa de partir outra vez, de buscar mais longe o que eu pressenti e não compreendia, pois eu era como um vedor que anda pelo mundo com a varinha trêmula na mão em busca de um tesouro.

Mas, diga-me, por favor, o que é que eu procuro? Por que, nesta cidade, onde estão meus amigos, meus desejos e minhas lembranças, eu sofro e me desespero apoiado à janela? Diga-me por que, pela primeira vez, não descubro a nascente e por que me sinto tão longe do tesouro? Qual é esta promessa obscura que me foi feita e que um deus desconhecido não cumpre?"

(Correio Sul - Antoine de Saint-Exupéry - 1974)

4 comentários:

Mari Monici disse...

Disse tudo...acho que se alguém não fecha a janela, saímos não. Tem que descansar os cotovelos e procurar outros tesouros, vez ou outra. Beijo e boa semana

Camilla Tebet disse...

Nossa,como é bom ler emoção tão forte ao encontrar livros. Encontros assim, marcados com livros, são os melhores, os mais férteis não são?
Gostei mesmo de ler paixão assim.
Beijos

Lumi disse...

Seja sempre bem-vinda!
Volte sempre q desejar.
Muito me encantou o seu blog, considere a minha visita um hábito daqui pra frente, mesmo com raros comentários.. rs

Uma ótima semana!

poetriz disse...

E toda espera é sempre recompensada!
Sabe que um dia num sebo estava procurando Clarice (L) ou Cecília (M), e fique meio frustrada por não ter encontrado nada delas. Mas sei lá por que, da estante saltou Anais (N) e booom. Trouxe "Em busca de um homem sensível" e me apaixonei pela autora.

Tb não foi mero acaso. Aliás, nem acredito nesse tipo de coisa...

Bjs!