
A morte torna o Deus Cronos irreconhecível e traz, como em nenhuma outra situação, o sentimento do irreparável.
É estranhíssimo tentar assimilar algo real mas que ressoa tão fantasioso, apesar de tantas evidências cotidianas: o lugar vazio na mesa, o jornal recolhido, um varal sem toalha, uma casa que não acorda ao som de uma voz, a expectativa de uma chegada que não chega, que não chega, que não chega mais.
E como se não fosse suficientemente cruel a sua ausência, é terrível a tentativa de me transformarem também num fantasma. Por mais que tente, é impossível não ver nisto um assassinato, ainda que simbólico, com consequências pra lá de imaginárias: reais.
Hoje, em mais uma dessas investidas fantasmagóricas a que tentaram me submeter, reparei o quanto a "diplomacia" se presta à covardia, fazendo dela seu aparente disfarce. Se pessoas se omitem em nome da Verdade, imagino o que não são capazes de fazer por causas bem pouco nobres. Restou-me calar face a tamanho desapontamento.