domingo, 28 de fevereiro de 2010

Jesus tem cheiro de pipoca (Da Transfiguração)


Após a missa, o carrinho de pipoca em frente à Igreja é envolto por uma roda de crianças que, sem compreender ao certo, observam maravilhadas e estupefatas uma estranha magia: de milho à pipoca.
Elas, assim como eu, esperam ansiosas e sedentas, porque Jesus é o milagre da transfiguração.

(VaneideDelmiro)



Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou a sós para um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira do mundo as pode branquear. Apareceram-lhes Elias e Moisés conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: "Mestre, é bom estarmos aqui! Vamos levantar três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias". É que não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. Formou-se então uma nuvem que os envolveu. E da nuvem uma voz se fez ouvir: "Este é o meu Filho amado, escutai-o". De repente, eles olharam ao redor e não viram mais ninguém, a não ser Jesus com eles. Ao descerem do monte, Jesus proibiu-lhes de contar a quem quer que fosse o que tinham visto, antes do Filho do homem ter ressuscitado dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas discutiam entre si o que significaria "ressuscitar dos mortos". (Mc 9:2-10)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Desperdício


No sonho, me dizia:
- Às vezes, a vida vaza...
E eu acordei com uma terrível sensação de desperdício.

(VaneideDelmiro)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Haikai ou não cai?


Dissolvido o pacto
só o silencio
restou intacto.

(VaneideDelmiro)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

MOFO

Por estes dias, enquanto preparava o café da manhã, deparei-me com o bolor cobrindo toda a superfície do pão. Jogá-lo fora foi à providência imediata.
Fiquei me perguntando há quanto tempo o pão estaria ali, abandonado naquele saco. Certamente há bem menos tempo da luz queimada, do perro da janela, dos sonhos esquecidos, do blog silenciado... Medida imediata não houve. Haverá?


(VaneideDelmiro)



Há muito tempo
Não tenho o que dizer...
Logo você
Que dizia saber
Não sabe
Aonde quer chegar
Aonde quer chegar?
(Moptop - Aonde quer chegar?)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Um número maior, talvez menor...

No provador de roupas, ao se dar conta de que a peça experimentada não se ajusta, seja por se tratar de um número maior ou menor, você rapidamente solicita ao vendedor algo que se adéqüe ao seu tamanho. Com a correção numérica, por vezes, tudo se resolve.

Noutras ocasiões, se faz necessário algum tipo de reparo e a loja de consertos realiza o milagre da adequação: com apertos daqui e cortes dali a peça até parece ter sido feita para você.

Mas e a alma? Onde ajustar uma alma que não se adequa à moda preexistente? Que não encontra modelos prêt-à-porter? Que está muitos números além e aquém de si mesma?

P.S.: Independente do tamanho, possíveis respostas serão bem acolhidas...

(VaneideDelmiro)



"Cadê a tampa da pasta de dentes? / Minhas chaves aonde eu deixei? / O espelho me olha impaciente / Eu ia me encontrar e me atrasei / O sol me aparece de repente / Sem eu perceber, amanheceu / Traz a conta, chama o gerente / Diz que este outro aqui sou eu"
(H. Vianna/ P. Luís/ C. Avim, M. Moura, S. Silva, C. A. / Sincero Breu)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sugestões,


Para espantar a dor
Pinte mandalas com lápis de cor.
Veja um filme bem levinho
Onde um príncipe pequenino
Larga tudo por amor,
À flor...

Se preferir,
Compre roupas,
Regue as plantas,
Quebre a louça

E esqueça bem da moça,
- Que não sabe
Mas precisa esquecer...
(VaneideDelmiro)


Há tempos que eu já desisti / Dos planos daquele assalto / De versos retos, corretos / E o resto de paixão, reguei / Vai servir pra nós / E o doce da loucura é teu, / é meu / Pra usar a sós...
(Nei Lisboa / Telhados de Paris)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Solilóquio

É possível que se leve uma vida inteira pra se entender o que se passa? Sim, é perfeitamente possível. E profundamente triste!

(VaneideDelmiro)


Há mil maneiras de ser. Uma delas, e não a menos confortável, é deixar-se ser. Um dia, eu serei, e acabou-se...
(Drummond de Andrade em carta a Mário de Andrade, 30/12/1924)